O asfalto da Marginal Tietê reluzia sob a garoa fina de maio. Para Bruno, não era apenas uma via expressa; era uma arena. E sua arma era uma moto – uma Titan 150 escura, com o escapamento roncando um aviso grave.
Ela estranhou o aperto do abraço, mas retribuiu. furia em duas rodas
Um táxi fechou a passagem na altura do Carrefour. Sem pensar, Bruno enfiou a moto no corredor entre o táxi e uma carreta. Menos de dois centímetros de cada lado. A fúria sussurrou: “Você não é ninguém. Prova que é alguém.” Ele provou. O asfalto da Marginal Tietê reluzia sob a
O dia fora um desastre. O chefe o humilhou na obra por um erro que não cometeu. Marina, sua mulher, enviou um áudio de dez minutos reclamando do dinheiro que faltava para o aluguel. E sua mãe ligou do interior: o coração dela estava fraco, e ele não tinha como visitá-la. A impotência corroía o peito como ácido. Ela estranhou o aperto do abraço, mas retribuiu
Bruno parou no acostamento. Desmontou. As pernas cederam.
Ele colou na traseira do Fiesta. Iluminou o retrovisor com o farol alto. A moto tremia de impaciência. Anda, seu merda. Anda.
Veio de dentro.